Compartilhamento do conhecimento entre atores humanos e não-humanos

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Resumen:Compartilhamento do conhecimento entre atores humanos e não-humanos é um tema que tem me interessado nos últimos 5 anos. Tanto foi parte da minha tese de doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento. Compartilhamento do conhecimento é o processo pelo qual os indivíduos trocam seus conhecimentos (tácitos e/ou explícitos) baseado na interação social efetivada entre atores humanos, artificiais, animais, vegetais, a natureza e o universo, de forma coletiva ou organizacional, quando captura, organiza, reutiliza e transfere experiências baseadas em conhecimentos existentes criando novos conhecimentos.

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Vivemos um momento interessante da nossa história onde estamos tendo que desaprender para reaprender uma séria de coisas da vida prática. Inclusive a se relacionar, integrar-se e interagir.

Saímos do face-to-face para o face-to-tech-to-face, que alterou radicalmente as formas de se relacionar e os modelos de compartilhamento de conhecimento entre os atores humanos, por mais que isto nos últimos 20 anos já tenha sido falado por alguns especialistas. Porém, entre o diálogo e a prática há um abismo.

Sempre acreditei que poderíamos compartilhar conhecimento com outros atores que não fossem apenas os humanos, mas sempre ficava muito abstrato falar sobre isto, visto que, muitas pessoas compreendem que o compartilhamento do conhecimento se dá apenas pela oralização, sem perceber que a explicitação do conhecimento pode se apresentar de várias formas.

E aqui cabe um parênteses: olharemos neste texto a perspectiva dos atores humanos que atuam com os atores não-humanos; ou seja, da sua capacidade de gerar novos conhecimentos a partir da sua interação com os atores não-humanos e da sua percepção dos estímulos recebidos.

Então, cabe para ficar mais claro o que compreendo como compartilhamento do conhecimento uma adaptação vários autores utilizada em minha tese de doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento, na Universidade Federal de Santa Catarina.

É o processo pelo qual os indivíduos trocam seus conhecimentos (tácitos e/ou explícitos) baseado na interação social efetivada entre atores humanos, artificiais, animais, vegetais, a natureza e o universo, de forma coletiva ou organizacional, quando captura, organiza, reutiliza e transfere experiências baseadas em conhecimentos existentes criando novos conhecimentos. (Campos, 2020).
O compartilhamento do conhecimento como apresentado no conceito se apresenta como um elemento estratégico tantos para profissionais, quanto para as organizações, visto que, o ato de compartilhar o conhecimento pode contribuir para uma melhora da performance organizacional propiciando uma melhor tomada de decisão, inovações e aprendizagens.

Bos parte dos estudos sobre o tema olha para apenas os atores humanos, porém o desenvolvimento tecnológico por meio da inteligência artificial, do machine learning, da internet das coisas embarcadas nos artefatos tecnológicos possibilitam a interação baseada no face-to-tech e/ou tech-to-tech.

Desta forma, o relacionamento dos atores humanos com não-humanos (ator artificial, animal, vegetal, a natureza e o universo), mesmo que neste momento histórico a codificação da linguagem ou a falta dela seja um impeditivo; que pode ser superado pelo estudo do comportamento, da recorrência e geração de padrões observáveis, sensações, afetividade, derivações e tipologias de conhecimentos, podem se constituir um novos conhecimentos para o ator humano.

Para fundamentar esta visão de que o compartilhamento do conhecimento pode ser manifestado pelos processos de comunicação e interação entre estes atores, utilizou-se a teoria Ator-Rede, sendo uma ciência social originada nos estudos da tecnologia e sociedade, apresentada por Michel Callon, Bruno Latour e Madelaine Akrich (1980), na qual trata da sociologia das associações, da tradução, da mobilidade entre seres e coisas, confrontando a sociedade, atores e redes.

Compreende que o ator é definido por meio do papel que desempenha na sua rede, sua atividade, repercussão na geração de nós (pontos de contatos) podendo este ser um ser humano, animal, coisas objetos e instituições, sendo um estudo que preconiza a aproximação junto ao campo empírico de pesquisas, simples e complexas, tanto nas análises macro e micro, motivadas pelo princípio de simetria, hibridismo e tradução.

Sendo o compartilhamento um processo de comunicação e interação entre atores humanos e não-humanos, a maioria das produções científicas sobre o tema, apresenta que este processo requer uma demanda especifica de conhecimento, para uma fonte de conhecimento, por um receptor do conhecimento em um determinado contexto.

Porém, o que compreendemos que em qualquer momento de interação entre os atores é um momento de compartilhamento do conhecimento, sem a necessidade de uma demanda de conhecimento pré-determinada e direcionada a uma fonte, transformando assim, o ator em fonte e receptor de conhecimento ao mesmo tempo, em um movimento diacrônico utilizando-se do diálogo e da análise conjunta para a busca de soluções para uma determinada demanda de conhecimento.

Os encontros ao acaso propiciam momentos de compartilhamento do conhecimento a qualquer tempo e em qualquer lugar; e, estes geram o que foi apresentado na tese de doutorado como os Serendipty Knowledges, os conhecimentos ao acaso para o ator humano.

Observou-se também que existem barreiras para o compartilhamento do conhecimento, apresentados na perspectiva humana e organizacional, como:

– Resistência em compartilhar ou explicita o conhecimento;
– Dificuldade da fonte de conhecimento em articular seu conhecimento de forma compreensível;
– Inconsistência dos especialistas aplicando regras diferentes daquele ele mesmo utiliza para a tomada de decisão;
– Ilusões de terminologias superestimando o nível de conhecimento dos demais atores;
– Problemas de projeção quando não adapta o nível de conhecimento;
– A falta de confiança no outro ator e/ou no conhecimento compartilhado;
– Perda de poder quando ao compartilhar;
– A incerteza do valor do conhecimento compartilhado;
– A falta de motivação e de clareza dos benefícios ao compartilhar o conhecimento;
– Diferença entre consciência e conhecimento dos problemas e não das causas, interferindo na disposição para a escuta;
– Receio de exploração, emoções e pseudos inovadores

Estas barreiras de alguma forma aparecem cotidianamente nas organizações; e, em alguns casos a baixa inteligência emocional do ator humano; e, a falta de abertura e flexibilidade para o entendimento do outro, por meio de uma escuta ativa; ou do não entendimento da necessidade do envolvimento de especialistas de vários tipos de conhecimentos em momentos de cocriação e coprodução, reduzem a capacidade de perceber oportunidades, diminuindo assim, a geração de novos conhecimentos e os benefícios que isto pode gerar tanto no âmbito individual, coletivo e organizacional.

Aprimorar o equilíbrio emocional, visando construir ambientes propositivos de compartilhamento do conhecimento integrando os atores humanos e não-humanos pode contribuir para a criação de novos conhecimentos, reduzindo as barreiras e garantindo o valor e impacto que o conhecimento gerado pode proporcionar para as pessoas, organizações e sociedade.

Geraldo Campos

CEO Studio Sapienza
Sapienza

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