Um novo começo

Categoria: Educação
Resumen:Reflexões sobre um novo começo com a pandemia mundial enfrentada no presente ano.

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Um novo começo?

Ir. Evilázio Teixeira
Reitor da PUCRS

A evolução de qualquer organização implica superar, constantemente, uma série de desafios, assegurando sua missão, visão, mantendo a capacidade competitiva e de inovação. Contudo, por mais precisos que sejam os conceitos e estruturados os planejamentos, há variáveis incontroláveis que alteram completamente o cenário. Como diz a velha máxima: “quando pensamos ter todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas”. Há quem diga que o século XXI começa agora. As consequências da pandemia não podem ser vistas de modo isolado do momento que estávamos vivendo no período anterior ao surto. O que temos é uma aceleração e amplificação de problemas que já haviam sido detectados. Por exemplo, a retomada da economia brasileira acabou não se concretizando, intensificando a dificuldade na mitigação das fragilidades explicitadas pelo efeito COVID.
No Ensino Superior, os desdobramentos da pandemia determinaram a busca de soluções rápidas e flexíveis. A impossibilidade de prever-se o comportamento da evolução da própria doença, aliada à crise econômica, determinaram a adoção de planos de contingência e a construção de caminhos alternativos. É inquestionável a capacidade das instituições educacionais de se reinventarem. Entre a decisão de suspender as atividades presenciais e o reinício das aulas na modalidade online, bem como a continuidade de importantes pesquisas, houve um intervalo de poucos dias. Isso só foi possível por meio da superação de desafios muito práticos, como a elaboração de protocolos de prevenção e segurança, a mobilização e engajamento das equipes, o uso de novas ferramentas de ensino e o empenho para manter a motivação e o engajamento de professores, técnicos e estudantes. Trabalho, criatividade, solidariedade e empatia têm sido palavras-chave nesse contexto.
Passado o momento mais crítico, caberá às organizações “repensar” e “reimaginar” sua atuação, ou seja, rediscutir objetivos e estratégias num cenário em que se destacam os novos modelos de trabalho, a mediação tecnológica no ensino-aprendizagem, novos jeitos de consumir e conviver. Dito em outras palavras: o que imaginamos para alguns anos à frente tornou-se imperativo no presente. Certamente planos definidos no período anterior à pandemia terão valor reduzido – ou simplesmente serão inúteis. Planejar para este “novo futuro” é significativamente diferente e mais desafiador do que planejar para aquele “velho futuro”. Um novo começo requer paciência, ousadia e esperança.

Evilazio Francisco Borges Teixeira

Reitor PUCRS
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUCRS

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